Cuiabá, 14 de Agosto de 2022

Justiça acolhe pedido do MP e apreende celulares de vereador que matou agente penitenciário em Cuiabá

Por G1

 

A Justiça acolheu parcialmente, nesta quarta-feira (13), um pedido do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) e determinou a apreensão de todos os aparelhos celulares do vereador Marcos Paccola (Republicanos), que matou o agente penitenciário Alexandre Miyagawa, de 41 anos, no dia 1° deste mês.

A defesa de Paccola disse que a medida faz parte da investigação.

Na mesma decisão, o juiz negou o pedido do MP para prisão preventiva do vereador. Um requerimento no mesmo sentido também foi feito pelos delegados da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O mandado de busca foi cumprido na residência de Marcos Paccola e apreendeu dois aparelhos celulares. O parlamentar é investigado em inquérito policial que apura a prática do crime de homicídio que vitimou o agente penal, Alexandre Miyagawa.

Para fundamentar o pedido de prisão, os promotores de Justiça destacaram que o vereador é réu em uma ação penal após ter sido denunciado por envolvimento em organização criminosa que operacionalizou fraude nos registros da Polícia Militar e em certificados de registros de arma de fogo.

A ação, segundo a representação, teve como objetivo interferir na “Operação Mercenários”, deflagrada em virtude do envolvimento de militares na prática de crimes contra a vida de dezenas de pessoas.

Os promotores disseram ainda que há a existência de evidências que apontam para a intenção de autopromoção. Enfatizaram que o uso político do episódio encontrou amparo nas manifestações públicas do investigado.

“Além de reforçar a bandeira que defende em torno do uso de armas de fogo, o eepresentado passou a atacar a imagem da vítima, fazendo-a vilã e única responsável por sua morte. Também passou a encampar campanha autopromocional às custas do evento delituoso, reforçando a tese defensiva de ato de heroísmo dirigido a evitar um suposto feminicídio. Tudo dirigido à sociedade, juiz natural da causa e genuína detentora do poder de julgar os crimes dolosos contra a vida”, diz trecho do pedido.

Conforme o MP, o pedido de prisão busca garantira a ordem pública.

“O perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado se vê confirmado diante de seu envolvimento na prática de delitos relacionados ao exercício das funções, tanto na figura de militar que reiteradamente evoca, quanto de vereador, fazendo uso político da situação para se alavancar no cenário eleitoral, conspurcar a imagem da vítima e incitar a população à bandeira que defende quanto ao uso de arma de fogo”, diz o MP.

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