Folha de S.Paulo inventa notícia em Brasília

Pergunta: é possível um jornal e alguns de seus jornalistas inventarem uma notícia e publicarem ela? A resposta mais coerente, dentro de padrões mínimos de ética, seria não. Para a Folha de S.Paulo, no entanto, a resposta é exatamente oposta. Sim, para a Folha, é possível inventar uma notícia e publicá-la. Alguém pode me dizer: um jornal de tanta credibilidade e com tantos anos de história pode até errar, já que todos somos passíveis de erros, mas inventar é um pouco além do aceitável. Então vamos lá.

No dia 19 de dezembro de 2014 a Folha de S.Paulo publicou a matéria com o seguinte título: Congresso aprova mudança na fiscalização de frigoríficos, assinada pelos jornalistas Natuza Nery, Dimmi Amora e Ranier Bragon. Até aí tudo ok. Em tese, o jornal estaria dando destaque para uma aprovação feita pelo Congresso Nacional, que muda a forma de fiscalização nos frigoríficos brasileiros. Fato novo, totalmente noticiável, relevante e que de fato mereceria a atenção dos leitores, não fosse um pequeno detalhe. O Congresso NÃO aprovou nenhuma mudança na forma de fiscalização dos frigoríficos. Isso mesmo, o Congresso não aprovou nenhuma mudança!

Oras, se o Congresso não aprovou nenhuma mudança na forma de fiscalização dos frigoríficos, só resta concluir que o jornal, bem com os três jornalistas que assinaram a matéria simplesmente inventaram a notícia. Na prática, a Folha fez a vez do Congresso e aprovou por sua conta uma medida no parlamento brasileiro. Pena que esse não seja o papel de um jornal. O que realmente surpreende é o fato fictício ter passado por três, isso mesmo, três repórteres, além do editor responsável pela editoria de política do jornal, Ricardo Balthazar.

É bem verdade que a Folha identificou o erro e publicou outra matéria corrigindo a informação, mas isso não diminui a irresponsabilidade de ter publicado uma mentira. O destaque dado para a publicação da errata, no entanto, é totalmente desproporcional ao tamanho dado na matéria do jornal impresso. Enquanto a matéria errada tinha um título em duas linhas, ocupando cinco, das seis colunas que a página da Folha tem, a errata tinha modestas 9 linhas, no canto inferior da página.

Pensa que acabou? Tem mais! Na mesma matéria, os ilustres repórteres que publicaram algo que não existiu informam ainda que o Canal Rural pertence à JBS. Bom, a JBS é uma empresa de alimentos, pública, listada na bolsa, obrigada a informar todas as aquisições que faz e que só atua no segmento de alimentos e produtos derivados. Definitivamente, mídia nunca foi o negócio dela. A JBS nunca comunicou a compra do Canal Rural simplesmente porque ela nunca aconteceu. Quem comprou o Canal Rural foi uma holding chamada J&F Investimentos. Uma simples busca no Google traria essa informação, já que o site da própria J&F informa quais são seus negócios.

Pergunta óbvia: qual a relação da JBS, Canal Rural e J&F Investimentos? Se os repórteres contratados pela Folha para apurar fatos não apuram direito para informar os leitores, aqui vai a simples explicação. Como dito antes, a J&F é uma holding de investimentos, ou seja, ela é controladora de uma série de empresas. Entre as empresas que a J&F controla estão JBS, Canal Rural, Vigor, Eldorado Brasil, Banco Original, entre outras. O correto seria dizer que o Canal Rural é controlado pelo mesmo grupo que controla a JBS e não que a JBS é dona do Canal Rural.

Ignorância dos repórteres? Falta de conhecimento? Má fé? Segundas e terceiras intenções? Não sei responder, mas o fato é que tem muita gente ruim trabalhando na imprensa, o que torna os produtos feitos pela imprensa cada vez piores. Vou continuar de olho e comentando outros erros grotescos como esse cometido pela Folha.

Erramos

Congresso aprova mudança na fiscalização de frigoríficos

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