Blog do Estadão publica notícia com uma semana de atraso

Uma das premissas para uma informação ser considerada notícia é seu ineditismo. Isso é algo que se aprende no primeiro ano da faculdade de jornalismo (pelo menos naquelas de primeira linha). Com o surgimento da internet, para valer a pena a publicação a informação ter que ser o mais nova possível.

O blog no Estadão de Fausto Macedo parece, contudo, não dar muita bola para o ineditismo das informações e anda publicando notícias meio velhas. Mais precisamente, o blog publicou uma notícia simplesmente OITO dias depois dela ter se tornada pública em um outro site.

Vamos aos fatos. No dia 19/11/2014, o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina, publicou em seu site a decisão da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, na nota intitulada TST condena frigorífico Seara em R$ 10 milhões e a adequar condições de trabalho. Até aí ok. Fazendo uma busca rápida no nosso ilustre Google, uma série de sites de notícias, de todos os portes e tamanhos, bem como alguns jornais regionais, copiaram e colaram  a decisão, publicaram e tomaram o cuidado de checar com a empresa se teriam algo para falar sobre o assunto. A empresa se manifestou, com uma nota, que também foi publicada e todos ficaram felizes.

No dia 27/11/2014, a jovem e inexperiente repórter Julia Affonso resolveu publicar a mesma informação. Quase dez dias depois, a jovem Julia assina a matéria publicada no blog do Fausto Macedo, intitulada Seara é condenada em R$ 10 milhões por trabalho a 10ºC. Não vou nem me ater ao fato de dentro de um frigorífico a temperatura ter que ser de 10ºC por determinação legal, mas sim, a outro detalhe. A jovem Julia Affonso sequer se deu ao trabalho de checar se havia alguma atualização no que se refere à nota divulgada pela empresa.

Onde está o fato por trás do fato? A nota, datada de 19/11/2014, diz que a empresa aguardaria a publicação do acórdão para avaliar se entraria ou não com recurso para reverter a decisão do TST. O detalhe é que o acórdão foi publicado no dia 24/11/2014, ou seja, três dias antes da matéria assinada pela inexperiente Julia. Na prática, o blog do Estadão deu uma matéria velha e desatualizada, uma vez que já existia um fato novo e foi totalmente ignorado pela repórter e seu editor.

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